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Um negócio nada genérico ( Isto É Dinheiro )

Um negócio nada genérico ( Isto É Dinheiro )

Jornalista: Carlos Eduardo Valim

24/12/2011 - MERCADO FARMACÊUTICO PODE SER visto de duas formas em 2012. Pela ótica dos grandes laboratórios, como a americana Pfizer ou a francesa Sanofi-Aventis, US$ 33 bilhões em medicamentos vão ter suas patentes vencidas, como o Plavix, um anticoagulante que arrecada anualmente US$ 6,2 bilhões. Por outro lado, essa é uma boa notícia para a indústria de remédios genéricos, em especial a brasileira. Afinal, esse é o mercado que cresce a taxas aceleradas no País.

Em 2011, as companhias da área devem faturar R$ 8,5 bilhões com a venda de medicamentos sem marca, de acordo com CARLOS EDUARDO VALIM projeções da Pró Genéricos, entidade que representa os laboratórios desse setor. Em 2012, a meta é chegar a R$ 11 bilhões. Trata-se de uma expansão de 30%. "Há ainda um grande espaço para crescer", diz Marco Aurélio Miguel, diretor de marketing da divisão de genéricos do laboratório brasileiro EMS, de Hortolândia, no interior de São Paulo, que está investindo R$ 400 milhões em novas unidades industriais em Jaguariúna, Manaus e Brasília. "O faturamento com genéricos representa 20% do mercado de medicamentos no Brasil, enquanto nos países maduros chega a 40%." As razões para esse crescimento não são difíceis de ser entendidas. Os medicamentos genéricos chegam a custar, em média, 50% menos do que os de referência, segundo pesquisa da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), de São Paulo. Outro fator positivo são os programas do governo, especialmente o Farmácia Popular, que distribui medicamentos gratuitamente ou a preços reduzidos. Os genéricos, por exemplo, representam 65% da cesta gratuita do programa, que atendeu mais de sete milhões de pessoas em 2011. "Os genéricos funcionam como porta de entrada para o consumo de medicamentos", diz Odnir Finotti, presidente da Pró Genéricos.

Nenhum Estado, no entanto, ilustra essa expansão dos remé¬dios genéricos do que Goiás, que atraiu diversas fábricas de medica¬mentos nos últimos anos. Grande parte delas está localizada em Anápolis, cidade com 335 mil habitantes, que se tornou o segundo maior polo farmoquímico do Brasil. Apenas de 2005 para 2010, o número de empregados na indústria farmacêutica local dobrou, chegando a dez mil pessoas. Os sindicatos estimam que existam 2,5 mil vagas abertas nos 32 laboratórios instalados na cidade. Um deles é o brasileiro Teuto, do qual a Pfizer detém 40%, um dos primeiros a desbravar a região. "A formação de mão de obra, era um problema no início, agora é um diferencial", diz Marcelo Henriques Leite, presidente do Teuto. A Hypermarcas, gigante do setor de higie¬ne e medicamentos, centralizou também a produção e distribuição de suas mar¬cas, como Neo Química e Mantecorp, na cidade.


O principal motivo para as empresas se instalarem em Anápolis é o incentivo fiscal. Só isso, porém, não explica tudo. A localização da cidade, no centro do País, facilita o transporte para diversas regiões, como o Nordeste, onde o consumo cresce mais. Lá, foi criada a primeira estação aduaneira do interior do Brasil. Até os laboratórios suíços Roche e Novartis, sem ter fábricas na cidade, usufruem dos processos alfandegários locais, para importar insumos.