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Alagoas é o 19º estado em vendas de remédios genéricos

5 de novembro de 2020 08:21

 

Alagoas é o 19º estado em vendas de remédios genéricos


Volume representa 31,50% do total de medicamentos comercializados no estado, indica a indústria farmacêutica

 

Alagoas ocupa a 19º posição entre os estados brasileiros em volume de unidades de genéricos comercializados. Nos últimos doze meses, o estado comercializou mais de 16 milhões de unidades de genéricos, o que representa um crescimento de 21,34% se comparado com o mesmo período anterior. Do total de medicamentos comercializados em Alagoas, 31,50% são genéricos. Os dados são da ProGenéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos).

 

Telma Salles, presidente da PróGenéricos, explicou que os genéricos se transformaram no principal instrumento de acesso a medicamentos no país. “De fato, os genéricos permitem que milhares de brasileiros consigam dar continuidades a seus tratamentos com medicamentos seguros, eficazes e mais baratos”.

 

“Isso contribui não só para o bem estar da população, mas também para evitar agravamento de doenças à saturação do SUS (Sistema Único de Saúde), pois pacientes que conseguem se tratar não evoluem para situações de saúde mais críticas, especialmente no caso de doenças crônicas”, salientou.

 

Ainda conforme Telma Salles, o mercado de genéricos cresceu o dobro do mercado total de medicamentos. Esses dados comprovam que os genéricos seguiram cumprindo seu papel de fortalecer o acesso a medicamentos neste momento de pandemia. “Os consumidores, em virtude do preço, qualidade e eficácia, buscaram refúgio nos genéricos para dar continuidade a seus tratamentos”, destacou.

 

Apesar do crescimento importante, Salles aponta que, ainda por conta da pandemia, a indústria enfrenta forte pressão nos custos com a alta do dólar e dos preços praticados no mercado internacional e refletidos nos insumos adquiridos para produção medicamentos. “Vendas e faturamento cresceram, mas a indústria segue pressionada na ponta pelos custos”, avalia a executiva.

 

VENDAS

 

A indústria de medicamentos genéricos registrou vendas de 423 milhões de unidades no varejo farmacêutico no terceiro trimestre deste ano, consolidando crescimento de 11,08% frente ao mesmo período do ano anterior.

 

O desempenho dos genéricos foi superior ao registrado pelo mercado farmacêutico total, que cresceu 5,36% em unidades no mesmo período. Os dados são da PróGenéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos), com base em levantamento do IQVIA, empresa que audita o varejo farmacêutico no país.

 

Em faturamento, o setor de genérico registrou alta de 20% no terceiro trimestre, frente ao período de 2019, atingindo a marca de R$ 3.119 bilhões, já considerados os descontos concedidos ao varejo. O crescimento é reflexo do aumento de volume e da expansão das vendas de genéricos de maior valor agregado, caso dos produtos voltados para o tratamento do sistema nervoso central, por exemplo.

 

Mais barato e com mesmo efeito da marca

 

Toda pessoa que já precisou comprar medicamentos sabe da existência dos genéricos. Mais baratos que os remédios com marca, são uma boa opção para quem quer economizar. Mas qual a diferença do medicamento original para o genérico? O efeito é o mesmo? O presidente do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL), Robert Nicácio, explicou porque os genéricos são mais baratos.

 

Segundo ele, o medicamento de marca é aquele que teve sua molécula (fórmula) descoberta por um laboratório farmacêutico ou por equipe de cientistas patrocinados por um laboratório, e que terá exclusividade por um determinado período de tempo a depender da legislação do país para explorá-lo comercialmente.

 

Já o genérico que é igual ao de marca, que por lei também passa por rigorosos testes de biodisponibilidade e bioequivalência, realizados no Brasil pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), para serem comercializados, com custos bem abaixo dos de marca, não há gastos com propagandas e nem para pagar o que foi investido na pesquisa para descobrir a molécula.

“No final a grande diferença para o consumidor final será o valor pago, que se optar pelo genérico, será muito menor”, frisou.

Indagado sobre o porquê de alguns médicos receitarem apenas medicamentos de marca, Robert Nicácio, disse que se trata de uma das formas de lobby exercido pela indústria farmacêutica.

O professor do curso de Farmácia do Centro Universitário Maurício de Nassau em Maceió (Uninassau), Daniel Fortes, reforçou também que a grande vantagem dos medicamentos genéricos é, sem dúvidas, o preço. Afinal, ele pode custar no máximo 70% do valor do medicamento original.

“Através da Lei nº 9.787, de 1999, que discorre sobre o medicamento genérico, o governo facilitou o acesso da população aos remédios do tipo. Inclusive, é uma das diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, mencionou.

 

Ainda conforme o professor, o paciente tem o direito de solicitar ao médico, no momento da prescrição, o nome da substância. Ou seja, o nome genérico. “Na farmácia, o paciente pode solicitar ao farmacêutico a intercambialidade. Isto é, quando o profissional avalia a prescrição e realiza a troca do medicamento original pelo equivalente. Nesse caso, o equivalente seria o genérico”, explica Fortes.

 

Daniel Fortes observou que alguns médicos exigem que somente o original seja comprado. Mas, segundo ele, nesses casos, o prescritor tem que especificar na receita, escrito à mão, que não autoriza a substituição do medicamento original pelo genérico.

 

Para o economista Lucas Barros o aumento na busca por medicamentos genéricos no Brasil tem sido uma realidade constante. Alguns dos motivos que têm levado o consumidor a buscar esse tipo de medicamento, de acordo com ele, diz respeito ao aumento da prescrição médica, já que sempre que possível os médicos devem receitar medicamentos pelo nome genérico. Outro ponto levantado pelo economista é a confiança do consumidor no resultado do medicamento genérico; além da busca do consumidor por maiores descontos no produto e a diminuição da renda dos trabalhadores no último período.

 

“Estamos vivendo uma crise econômica que se somou a crise na saúde durante esse período de enfrentamento a pandemia ocasionada pelo coronavírus. O aumento das taxas de desemprego, a desvalorização do real (dificultando as importações) e o adoecimento da população em geral traz como consequência busca por mais medicamentos. Esse conjunto de fatores pode estar influenciando no aumento da busca por medicamentos genéricos no Brasil”, ressaltou Lucas Barros.